Contratações para o cargo de diretor financeiro devem dobrar até junho e crise pode ser a razão

A demanda pelo cargo de Chief Finance Officer (CFO), ou diretor financeiro, aumentou consideravelmente nos últimos três meses e deve dobrar até o meio do ano

A demanda pelo cargo de Chief Finance Officer (CFO), ou diretor financeiro, aumentou consideravelmente nos últimos três meses e deve dobrar até o meio do ano, segundo a consultoria global de Recursos Humanos Randstad.

“Foi um crescimento de 30%. Se antes nós tínhamos dez posições abertas, agora temos 13”, afirmou à revista Exame Letícia Krauskopf, gerente regional da Randstad Professionals, que enxerga uma tendência para o mercado em 2019 e ainda aponta que “o perfil mais buscado não leva em conta a formação inicial ou uma conquista isolada, mas o pacote de experiências que o profissional oferece”.

Um diretor financeiro pode chegar a ganhar de R$ 25 a R$ 45 mil em uma empresa. Ele é o profissional responsável por planejar todas as operações de finanças e contabilidade na empresa.

Em épocas de crises, seu papel está muito atrelado ao de segurar despesas e melhorar o desempenho do negócio e isso, na visão dela, é levado em consideração. “Todas as empresas pedem por solidez diante da crise. Quem passou por muitas empresas no período não tem sido visto com bons olhos. O executivo precisa de maturidade para ocupar o cargo, mostrando que completou um ciclo para contar sua história do começo ao fim, com projetos de longo prazo e grande impacto”, diz.

A Page Executive, unidade dedicada ao recrutamento para o alto escalão do PageGroup, também confirma o movimento de ascensão. De acordo com a companhia, foi observado um crescimento de 23% de posições em 2018, o que representa uma alta de 67% em relação ao ano anterior.

Para Fernando Andraus, diretor geral da Page Executive, a capacidade desses profissionais de desempenhar mais de um papel pode ser um grande diferencial.

“Nós tínhamos o diretor responsável pela relação externa com bancos e acionistas e outro para a custos e resultados internos. Hoje, é muito valorizado o profissional que conseguir transitar entre os dois lados. Cada vez mais, ele precisa ter conhecimentos de outras áreas, além de finanças, para enxergar a necessidade de implementação de projetos de transformação digital”, defende.

A transformação do CFO
Para as consultorias, há uma forte chance de os CFOs virarem os próximos CEOs das empresas. “Esse é o momento que as empresas olham para o CFO, que ficou junto delas durante a crise, e pensam em colocá-lo em nova posição”, explica Krauskopf.

No entanto, a gerente alerta para o fato de que nem sempre esses profissionais estão preparados para atender à responsabilidade exigida. “A gente vê um movimento dividido entre a procura dentro da empresa e no mercado, ainda com o recrutamento maior de executivos de fora. Com os anos de crise, o preparo de um sucesso ficou para o plano B. A empresa pode ter um profissional bom tecnicamente, mas que não está pronto para assumir o cargo”, pontua.

Fonte: Finanças Yahoo! - 21/02/2019

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